Gasolina Adulterada


GASOLINA ADULTERADA

Os motociclistas brasileiros passaram a conviver com um perigo potencial: o de encher o tanque de suas motocicletas com combustível adulterado (ou “batizado”, como é chamado popularmente). O “batismo” é feito com a adição de substâncias estranhas à composição básica da gasolina, do álcool ou do diesel. Essas substâncias podem causar avarias sérias em seu veículo.

Toda gasolina deve obedecer a padrões mínimos de qualidade estabelecidos pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Infelizmente, pessoas inescrupulosas buscam o lucro fácil com práticas que podem avariar os veículos e a saúde das pessoas, já que a adulteração pode aumentar a emissão de poluentes. As adulterações mais comuns são misturar a gasolina com solventes ou adicionar à gasolina uma porcentagem de álcool anidro acima da estabelecida por lei (atualmente, ela é de 25%).

As motocicletas que saem das fábricas (e as que são trazidos ao País por importadores oficiais) têm seus componentes mecânicos e eletrônicos regulados e programados para trabalhar com um combustível que siga os padrões da ANP. Quando um motorista coloca no tanque uma gasolina adulterada, passa a correr o sério risco de causar danos graves ao veículo.

Primeiro, porque este não está preparado para funcionar com aquele combustível. Segundo, porque muitos dos produtos utilizados na adulteração danificam os componentes internos do motor – principalmente as borrachas.

É fácil perceber quando o combustível está fora das normas, porque o motor “reage” a uma gasolina ruim. Seu rendimento cai, há falhas no funcionamento e o consumo aumenta. Ao queimar gasolina adulterada, o motor cria resíduos que aderem às sedes das válvulas de admissão e à parede da câmara de combustão. Isso causa um desgaste prematuro dos componentes internos do motor e carburador, aumentando a emissão de poluentes.

O sistema de injeção de combustível, controlado por sistema eletrônico e com peças de alta precisão, também sofre desgaste excessivo. E a bomba de gasolina, que leva o combustível do tanque para o motor, fica danificada. Isso provoca falhas constantes na alimentação do combustível, dificuldade na partida e até a parada total do motor.

A adulteração da gasolina pode acontecer em praticamente qualquer uma das etapas de armazenamento e transporte pelas quais o produto passa antes de chegar ao consumidor final. A ANP empreende todo o esforço possível para coibir essa prática. O consumidor pode ajudar denunciando qualquer suspeita de adulteração de combustível e boicotando os postos que vendem gasolina de procedência suspeita.

Gasolina adulterada causa:

· Falhas no funcionamento do motor;
· Instabilidade da marcha lenta;
· Aumento no consumo de combustível;
· “Batida de pino” e engasgos no motor;
· Travamento das válvulas;
· Depósitos no pistão;
· Danos ao diafragma da bomba de combustível;
· Diluição excessiva do óleo lubrificante, causando desgaste dos mancais, cilindros e anéis de pistão;
· Danos à carcaça da bomba de combustível;
· Danos às juntas, retentores e componentes à base de borracha;
· Aumento na emissão e na periculosidade dos poluentes;
· Prejuízo para o meio ambiente, para a coletividade e para o seu bolso.

Para evitar o uso de gasolina adulterada:
– Abasteça somente em postos de confiança. O ideal é que eles se localizem no caminho rotineiro do motorista. Isso evita que, na pressa, o carro seja abastecido em um posto desconhecido.
– Use de preferência gasolina aditivada. É um combustível de qualidade superior e mais difícil de ser adulterado.
– Se não for possível evitar um posto “suspeito”, solicite nota fiscal para poder comprovar a origem do combustível se houver problemas no motor causados pela gasolina.
– Não se iluda com preços muito abaixo da média de mercado e desconfie de preços promocionais. Combustível muito barato é produto resultante de adulteração, sonegação de impostos ou ambos.

Como identificar se a gasolina é “batizada”:
– Motor começa a falhar de repente.
– Marcha lenta se torna irregular.
– Partidas ficam mais difíceis.
– Motor “bate pino” (sinal de pré-ignição).
– Escapamento jorra água com o motor frio.

Conseqüências em médio prazo
– Motor “engasga” ou chega a parar.
– Perda gradativa da potência e do torque.
– Desempenho e rendimento diminuem.
– Acelerações ficam cada vez mais lentas.
– Maior emissão de poluentes.
– Elevação do consumo.

Danos provocados por solventes químicos:
– Borrachas do sistema de alimentação se desmancham.
– Aumento do depósito de carvão nas válvulas e velas.
– Resíduos provocam entupimentos generalizados.
– Óleo do cárter vai perdendo o poder lubrificante.
– Aceleração do desgaste das partes móveis do motor.

Como eliminar os problemas:
– Limpar o carburador ou bicos injetores de combustível
– Escoar o combustível adulterado ou limpar o tanque.
– Trocar as mangueiras e conexões de alimentação.
– Trocar os diafragmas no caso do carburador.
– Substituir todos os filtros de combustível.
– Testar válvula reguladora de pressão (injeção).
– Testar a vazão da bomba mecânica ou elétrica.

Como escolher um posto para abastecer
– Abasteça sempre no mesmo posto. Se o combustível estiver adulterado será mais fácil identificá-lo.
– Desconfie de combustível com preço muito baixo, pois pode estar misturado ou adulterado.
– Use sempre gasolina aditivada. Além de ser menos adulterada, contém detergentes que limpam o motor.
– Abasteça até 1/4 de tanque. Se o combustível estiver adulterado, poderá diluí-lo com gasolina aditivada.
– Veja se o posto de sua preferência faz o controle da qualidade do combustível anunciado pela distribuidora.
– Cheque no posto se há lacres eletrônicos instalados nos bocais dos reservatórios de combustíveis.
– Caso desconfie do combustível, retorne ao posto e exija um teste do produto. É um direito do consumidor.
– Se houver irregularidades, denuncie para a distribuidora ou órgãos de fiscalização, e mude de posto.

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